A verdade sobre os adoçantes

Nem todos os adoçantes do mercado possuem zero caloria
Não faltam nomes inusitados no mercado: aspartame, ciclamato, acessulfame k, stevia e por aí vai. Em meio ao mar de ofertas, fica mesmo difícil escolher o adoçante de todo dia. E essa escolha se torna ainda mais complicada ao levarmos em consideração que nem sempre os adoçantes passam incólumes pelas comunidades médica e científica.

Há quem defenda a toxidade deles e existe quem garante que eles são seguros para o organismo, desde que sejam tomados alguns cuidados, especialmente pelas grávidas e por quem apresenta problemas de saúde.

Sem contar que nem todos os adoçantes são menos calóricos do que o açúcar. Como se não bastasse, alguns estudiosos comprovaram que o adoçante faz a gente querer comer mais. Sim, por mais estranho que possa parecer, doces ou bebidas com adoçante não dão a mesma sensação de prazer dos produtos feitos com açúcar. O resultado é que podemos acabar exagerando na comilança em busca de um prazer inatingível. 

Vale lembrar que os adoçantes jamais devem ser consumidos à vontade, a fim de evitar o acúmulo de resíduos tóxicos do produto no organismo. Existe um limite máximo da quantidade que você pode ingerir. A informação costuma vir na embalagem.

Por essas e outras, médicos e nutricionistas são unânimes em um ponto: a não ser que você tenha diabetes, não despreze o açúcar, mas busque alternativas mais naturais, como açúcar mascavo, orgânico ou mel. Melhor ainda seria acostumar seu paladar aos sabores sem aditivos. Que tal experimentar um bom cafezinho sem adoçá-lo? 

Em todo caso, é hora de conhecer os diferentes tipos de adoçantes para saber qual é o mais indicado para você:

Acessulfame K: não tem caloria, adoça 200 vezes mais do que o açúcar comum, é resistente a altas temperaturas, não tem sabor residual e costuma ser mais usado em gomas de mascar e refrigerantes. Seu uso chegou a ser suspenso em 1988, quando testes norte-americanos associaram o adoçante ao desenvolvimento de tumores benignos e problemas de tireóide em animais. Porém, tempos depois, a falta de provas científicas concretas trouxe o acessulfame de volta ao mercado. Deve ser evitados por pessoas com deficiência renal e que têm o potássio controlado.
 
Aspartame: é calórico (possui 4 calorias por grama), adoça 200 vezes mais do que o açúcar e não possui sabor amargo. É o mais utilizado na forma líquida e em produtos light e diet, perde o sabor quando submetido a temperaturas superiores a 120ºC e é contra-indicado para quem tem enxaqueca e/ou fenilcetonúria. Enquanto alguns pesquisadores apontam a relação desse adoçante com a morte de neurônios e o aparecimento de câncer em ratos, outros vão na direção contrária, garantindo que o adoçante é totalmente seguro para consumo.
 
Ciclamato: não tem caloria, adoça 40 vezes mais do que o açúcar, é usado em refrigerantes, resiste a altas temperaturas e tem sabor residual amargo. Por conter sódio, deve ser evitado por hipertensos. É proibido em alguns locais (entre eles, EUA e Japão) por possíveis efeitos cancerígenos. Alguns países, no entanto, alegam falta de provas concretas dos malefícios e liberam o uso, como é o caso do Brasil.
 
Frutose: é natural e encontrada principalmente nas frutas, possui 4 calorias por grama, tem poder adoçante 170 vezes maior do que o açúcar e é muito usada em gelatinas, pudins e geléias diet e light. Deve ser utilizada com cautela por pessoas diabéticas e/ou com triglicérides elevados. Também é usada por atletas e pessoas com problemas gástricos e cardíacos.
 
Manitol, Sorbitol e Xilitol: contêm 4 calorias por grama, não causam cáries e, por isso, são largamente utilizados na produção de goma de mascar e balas. Entram também na composição de produtos dietéticos. Em grande quantidade têm efeito laxativo.
 
Sacarina: é o tipo mais antigo de adoçante artificial, tem capacidade de adoçar 300 vezes mais do que o açúcar e deixa sabor residual na boca. É utilizada em alimentos e medicamentos, como xarope para tosse. Não é recomendada sua utilização por grávidas. Chegou a ser condenada, pois seu uso já foi associado ao aparecimento de câncer. Por falta de comprovação científica, voltou a ser liberada em 2000.
 
Stevia: é natural, extraída de uma planta, adoça 300 vezes mais do que o açúcar, tem sabor residual forte e é um dos adoçantes mais consumidos nos EUA. Não contém calorias e é estável em altas temperaturas. É considerada sem toxicidade ao organismo e está amparada por pesquisas que mostram que ela combate obesidade e doenças cardíacas, podendo ser usada por diabéticos tranquilamente. 
 
Sucralose: não tem caloria, adoça 600 vezes mais do que o açúcar, não tem sabor residual e pode ser usada para cozinhar. É muito utilizada em alimentos e bebidas de baixas calorias. Já foi suspeita de causar câncer, mas nenhuma evidência foi comprovada. Alguns especialistas consideram que é o adoçante mais seguro.
 
Tagatose: também conhecida como natrulose, tem cerca de 1,5 caloria por grama, não causa cárie e costuma ser misturada com outros tipos de adoçante. Tem a mesma doçura do açúcar e não deixa gosto residual. Por ser novidade no mercado, ainda não é muito empregada, exceto em alguns refrigerantes. Ainda não há pesquisas que comprovem sua toxicidade.
 
Texto: Vanessa Cusumano