As diferenças entre alimento funcional, nutracêutico e suplemento alimentar

Alimentos funcionais, nutracêuticos e suplementos são aliados da saúde
Que atire a primeira pedra quem não aspira envelhecer cada vez mais tarde e com boa saúde. Para que isso aconteça de maneira saudável, no entanto, é imprescindível investir na qualidade de vida, começando com uma rotina diária de exercícios físicos, ingestão de água e dieta balanceada. A tecnologia também pode colaborar bastante nessa empreitada, e não só com os equipamentos estéticos disponíveis nas clínicas, mas também por meio dos alimentos funcionais, dos nutracêuticos e dos suplementos alimentares, que são importantes aliados e estão acessíveis a todos.

Embora já bastante utilizados, esses produtos geram dúvidas quanto à definição e funcionalidade de cada um. Por esse motivo, a farmacêutica especialista em nutracêuticos e nutricosméticos, Karina Ruiz, que acaba de lançar o livro "Nutracêuticos na Prática - Terapias baseadas em Evidências", explica que, de fato, há algumas diferenças entre eles, mas, inquestionavelmente, todos auxiliam na saúde como um todo, desde a prevenção de doenças degenerativas até mesmo na melhoria da aparência da pele, dos cabelos e das unhas.

"São alternativas práticas e eficazes para ingerir nutrientes essenciais ao organismo, uma vez que a redução de minerais e das vitaminas dos alimentos tem ocorrido cada vez mais. Deste modo, a suplementação pode ser uma alternativa para suprir parte dessa carência, além de auxiliar no bem-estar", explica Karina.

Entenda as diferenças

Os alimentos funcionais são comercializados e consumidos efetivamente como alimentos no dia-a-dia. Para ser considerado um alimento funcional, é necessário que ele contenha substâncias com propriedades fisiológicas em quantidades suficientes a ponto de fazer diferença no organismo humano. Porém, eles não são considerados terapêuticos, ou seja, apesar de estarem associados à redução do risco de doenças, não as previne. Iogurte probiótico e pão enriquecido com ômega 3 são exemplos de alimentos funcionais.

Os nutracêuticos, por sua vez, foram introduzidos em 1989 e associam as palavras “nutrição” e “farmacêutico”. Trata-se de um termo utilizado para designar componentes isolados de alimentos que apresentam propriedades terapêuticas, ou seja, com poder de atuar na prevenção de doenças. Os nutracêuticos podem ser consumidos sob diferentes formas: nutriente isolado em cápsulas (uma vitamina ou um sal mineral), um suplemento dietético em cápsulas ou em pó (compostos poli-vitamínicos e poli-minerais ou misturas contendo aminoácidos) e produtos herbais (extrato de uma determinada erva), além de alimentos ou produtos processados como sopas e bebidas.

Karina alerta que os conceitos de alimentos funcionais e nutracêuticos são bastante confundidos, pois eles acabam, por vezes, se misturando. "Alguns ingredientes ditos funcionais como, por exemplo, as alicinas presentes no alho, os glucosinolatos, presentes em vegetais, e os ácidos graxos poliinsaturados, presentes em óleos vegetais e óleo de peixe, podem ser consumidos juntamente com os alimentos que os contêm, sendo considerados alimentos funcionais, ou individualmente como nutracêuticos", explica.

Já o conceito de suplemento alimentar é mais simples. Ele começou a ser desenvolvido há cerca de 100 anos. Hoje, os suplementos são usados para acrescentar nutrientes à dieta normal. Pretende-se, com o uso deles, complementar, corrigir ou adaptar dietas para cada indivíduo. Eles são utilizados, na grande maioria, por esportistas, pois fornecem nutrientes necessários às demandas elevadas do esporte. "Os suplementos, basicamente, são as formas de obter os nutracêuticos. Seriam as formas farmacêuticas como shakes, gomas, sopas, cápsulas, comprimidos e soluções", conclui Karina.

Texto: VC